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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Pensamento Alheio: Rafael Silvestre


Sou mulher!

E a fortaleza primária, secundária e terciária, está no homem? Hoje terminei o dia sorrindo, alegre, a abraçar o céu e a conversar feliz com a lua. Mas, na ingratidão contumaz de uma condição imposta antes mesmo do senhor das minhas preces, passei as últimas horas provando que estou e sou presente nesse mundo, que sou e vou continuar a bater de frente com qualquer improviso e insatisfação.

E se deram as horas que começaram cedo. Arrancou-me da cama, como se para nascer em mais um dia fosse preciso estar acordada também. Entre tapas e arranhões, bati com a mão na mesa e fiz-me notar pela última vez. Tua alma descabida não mais possuía apreço, muito menos no verão e outono dos últimos 30 anos. Tua alegria me fazia sabor amargo na boca e me fazia também entupir veias do coração com pedaços de infelicidade e desgosto. Nessa manhã, meu caro, chute no vácuo e um a Deus, difícil, mas de solução para tudo isso. Fique com o seu par de cachaças, nosso álbum de fotos e a imagem da libertação de uma mulher.

Sai. Fui-me pela rua, com rumo certo pelo horizonte em definição. Uma angustia doida que, ao deleite das lágrimas, a fazia secar no futuro que se construía nos passos dados descalços. Estava suja, com chinelos comidos muitas vezes pelas raivas passadas. Mas sentia que trocara aquele espaço de humilhação pela alegria de chão tranquilo. Tinha motivos.

Sem fim esse meu rumo. Olhei para trás apenas duas vezes. Uma para saber se estava mesmo vivendo e a outra por acreditar que havia perdido meu maço de cigarros. Um a um fui consumindo, em tragadas profundas que me balançavam como tormentas. Quando em mim me encontrava, outra mais forte puxava para dentro as mais dolorosas lembranças.

Das 7h30 às 23h só deitei uma vez, em folhas soltas de um campo de flores rasteiras que encontrei pelo caminho. Sou mulher, sou a primazia dos destinos, sou torneira a cultivar a vida. Não sou esmola e ferida, não sou fartura e nem comida. Sou mulher e estar assim me mostrava que havia vencido o medo, vencido o beco de infortúnios.

No travar da noite escura, cheguei à beira do meu adorável precipício. Fácil, ali coloquei meus pés cansados a brincar no ar gelado, mais uma vez. Deitei e no céu reencontrei um sinal de vida, o que sempre me ajudava nesses momentos. Um sinal de que o melhor dos mundos está dentro de nós, em nós desatados uma vez na vida. Minha vez era essa. E foi assim. Hoje terminei o dia sorrindo, alegre, a abraçar o céu e a conversar feliz com a lua.


Rafa Silvestre 
Twitter: @PoetaRafael
Para mais textos, acesse :  Arte no Movimento

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Porta-joias


Quero guardar toda dor e cada lágrima, mantendo assim acesa a lembrança do contentamento do que fomos nós. Os lugares de fato nos pertenceram por alegria e nossa autenticidade realçou as ocasiões. Fomos algumas vezes frívolos e outras tantas pertinentes. Dividimos o teto, o prato, o manto, o ato. As vicissitudes das estações nos tornaram íntimos e indissociáveis.

A nossa separação, sabida, nunca fora desejada, apesar de este fato independer da nossa teimosia. Nosso encontro se deu porque acreditamos no que está escrito, o melhor se foi e ainda se terá. A continuidade se dá no que somos desde o primeiro instante.  Na vida que pulsa o lugar é de honra e destaque, há quaisquer tempos lembrados, vivos para sempre.

Texto in memorian aos meus queridos amigos Samuel, Adriana, Calebe e Beatriz.
Para minha querida Carol e sua pequena Clarisse, que já amo.
Para quem tem a quem amar.

Dayane Gomes
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Convicções


   Sou profunda e arenosa, a correnteza não absorve minhas mágoas apenas mudam seu lugar. Elas emergem em lembranças chaguentas e doem, doem... É um afogamento. O que medro não é o mergulho, mas sim que tesouro posso eu encontrar? Fácil é flutuar na superfície, difícil é cair de ponta, sentir a proximidade do abismo, naufragar a empáfia e tornar grão de areia.

  Almejo uma felicidade pungente, que transforme a alegria fingida e inebriante de SER em retina desembaçada, quero a minha presença sem aflição, quero sentir a vida esparramada na areia, sob chuva ou sob sol.

Por Dayane Gomes
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Bem-me-quer


  Sua importância se deu para mim no início, meio ou fim? Conquistou a minha alma no instante em que me percebi em ti e quando também não me achei ali, desta maneira se deu nossa afinação. Nossa composição aconteceu às gargalhadas, aos prantos, de impropérios proferidos, de silêncio, de benevolência e perdão. Muitos foram  nossos planos, alguns se perderam como nós, outros se fizeram felicidade inopinada. Contigo os momentos não foram vãos, foram sãos, mais e melhores, gratos e válidos. Porque nossas lembranças denotam sabor e mantém a atemporalidade. A minha valentia salienta-se no toque das suas mãos e por elas sinto o afago do ínfimo que sou. Ergo um brinde aos abraços e lágrimas, a propicialidade das cartas e telefonemas, de quando muitas vezes fui consolado na tua ausência, assim também, quando me descobri através da sua busca. Seja por convicções, religião, soluços e júbilo,  estaremos sempre juntos: AMIGO!!!

Por Dayane Gomes
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