sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Pensamento Alheio : Bertolt Brecht


Aos que vierem depois de nós...

Realmente, vivemos muito sombrios!

A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar. 

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?     

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles. 
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra. 

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.           

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.


Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pensamento Alheio: Niemeyer, a poesia do traçado



Não é o ângulo reto que me atrai,
nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual,
a curva que encontro nas montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
o universo curvo de Einstein.



Oscar  Niemeyer
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Ciranda, cirandinha...



O sol rutilava os rostos que gargalhavam desavergonhadamente por loucura ou por intimidade. Os toques das mãos se faziam tão pertinentes e a velocidade com que girávamos mantinham-nos vivos e contentes.  Em nossas mentes unicamente a vontade de estarmos juntos para sempre e eternamente felizes. E cada som se fazia nosso e cada olhar parecia encanto e cada minuto se extinguia rápido e prenunciava assim a falta.

Mas eis que o que ficou em nós tornou-se poesia e alento. Amor e resistência. Tolerância e perdão. Gratidão e verdade. Intimidade e confiança. Calço e esperança.  Lembrança que se fez valer pelo que fomos e que propagará toda a satisfação dos nossos laços. Porque os caminhos se fizeram tantos e as escolhas e fizeram várias, mas o que nos compõe é também o que nos faz únicos.


Por  Dayane Gomes
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Lúgubres Lamentos!


Oh Lua!

Nesta noite corada;
Nestas horas altas,
Somos apenas metades...

De minha altura admiro teu fulgor,
Ainda que te falta parte,
De tua altura:
Podes ver minha aflição?

Deixa-me confessar-te;
Ainda que distante;
O que desejo é apenas miragem,
E o que sou tem me embotado o espírito;

Oh! Minha Querida;
Não te faço súplicas,
Nem tampouco desculpo-me os queixumes;

Rogo somente que ilumine minha busca incessante para ser inteira!


Por  Dayane Gomes
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pensamento Alheio: Armando Freitas Filho



  A felicidade pode ser de carne 
  de pele apenas - corpo sem cara 
  nem cabeça, mas com a boca máxima 
  e muitos braços, peitos, coxa 
  perna musculosa, clavícula 
  omoplata, ventre liso esticado 
  peludo no lugar certo do sexo 
  e mais o cheiro preciso, exasperado 
  da axila, virilha, pé 
  tudo chegando junto, de uma vez 
  ou aos poucos, esquartejado.

Números anônimos, 1994.Armando Freitas Filho.Nova Fronteira 
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Barulhinho Bom: Agridoce


Olá pessoal! Minha sugestão para hoje é o duo Agridoce, um projeto paralelo da cantora Pitty juntamente com o guitarrista Martin.O trabalho se concretiza por músicas folk, inspiradas em alguns artistas como  Leonard CohenNick DrakeJeff Buckley e Elliott Smith.


Agridoce, perpassa pelo intimismo e pelas baladas românticas, assim como sugere o nome, um pouco de suavidade para esta agitação cotidiana. Como destaque, apresento à vocês duas músicas que muito me apetecem: Dançando e 130 anos. Permitam-se! Beijo Grande!

Por  Dayane Gomes
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"Dançando"

"130 anos"

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Pensamento Alheio: Rafael Silvestre


By Cahaddad

Loucura! 

Existem dois orifícios em minha atmosfera de delírios noturnos. Um vem do lado esquerdo do meu corpo, onde ficam as minhas maiores satisfações últimas. O outro, acima dos meus olhos, meio verdes e meio azuis, de vez em quando castanhos. Ambos, entretanto, me preenchem o estado único de prazer infiel, estranho, capaz de me entorpecer sempre em delírios noturnos, atrás de silêncios e infinitas projeções de desespero.

Agora mesmo, quando passo a mão na minha alma, solta no vento, indo e voltando no meu corpo, percebo o quão arriscado são essas sensações, identificadas apenas quando permito-me viver um pouco mais além da conta de dois goles de álcool. 

Nasci perto do escuro, perto da afortunada resistência de um destino de semanas. Por isso aprendi a criar regras e imposições apenas minhas, soltas, calmas, fiéis ao meu desespero de viver a lacuna dos outros. No outono isso se acentua mais porque vigora, na nitidez, lágrimas de anos de solidão incompleta. 

Mas não percebo a minha insensatez como tudo isso. Acordo sempre, respiro sempre, transmito palavras sempre, levanto-me sempre, não noto que sou tão forte e mais rápido do que minha própria condenação. Sou a borboleta azul de mar azul, que quando quer permite-se morrer cantando, voltando no seu tempo. 

A utopia, as decisões nulas, o escuro, a luz dos dentes brancos, o aperto de mão e o pão amanhecido permitem isso, me deixam viajar enquanto meus pés pulam do chão. Hoje mesmo por quatro a cinco minutos me dei forma e coesão nesse mundão que gira em torno do meu abismo profundo.

A loucura é o meu prazer indissociável, é meu atributo espacial, de tempo, forma e movimento. A loucura é a minha transmutação entre o além e a bravura de me perceber assim, por entre insanidades e satisfação.
  
Rafa Silvestre 
Twitter: @PoetaRafael
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Escultura de Areia


Saudade... Este é o sentimento que tem me acompanhado todos os dias. Lamento a fragilidade da minha alma ao notar toda impotência das minhas vontades, certo é que tantas lembranças, se por ora me sufocam, outras tantas me elevam a circunstâncias inesquecíveis.

Percebo-me enfim, abarrotada, embora eu saiba que irão corroer-me infinitamente, dispor-me se fará inevitável.

Minha fraqueza é minha eterna insegurança, sofro com a indolência ou cada passo dado. Sou fragmentada até as últimas consequências, lágrimas e sorrisos vão me tomando espaçadamente e construindo o que chamo de EU.

Por  Dayane Gomes
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Pensamento Alheio: Nasce algo em vida

Nasce algo em vida

Nasce algo em vida, outra vez no amor, por vezes em rimas, finas, cultas, fáceis, admiráveis, provedoras de sentidos, outras não, mas nascem.

 Nasce algo em riste, no valor calor de um atributo de luta, em um momento de vacilo, na doença, de estilo. Mas nasce algo em riste, algo em vida, em triste e em alegria, fazendo-se valer por tonturas rotineiras.

De tanto nascer algo em vida, a morte se conforma na espera sofrida, debaixo da língua solta, bêbada, fofa, que pretende-se almejar palavras quando do surgimento de algo em vida.

De tanto nascer algo em riste, a alegria esquiva-se do erro, penetra a fundo em um espelho de olhos a chorar, aproveita-se de estalos e caminha ao infinito de deitar em morte, que nasce como algo em vida, eterna, infinita, para sempre.
 

Rafa Silvestre 
Twitter: @PoetaRafael
Para mais textos, acesse :  Arte no Movimento

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Vale o clique : Açougue Cultural T-Bone



Devido às venturas e desventuras do nosso cotidiano, ficamos alguns dias sem folhear pensamentos por aqui. Entretanto, já estávamos  em abstinência de divagar com vocês.

Sem mais delongas, a ideia do post de hoje nasceu de uma sugestão da Bianca ,blog Pensamento em mundo ,durante uma conversa com os meninos do Sobre o insólito. Pois bem, o Vale o Clique de hoje traz um pouco do trabalho do Luis Amorim, dono do Açougue T-Bone.

Se você não é de Brasília ,irá se perguntar: E o que este açougue tem de especial? Há 18 anos, Luis comprou seu açougue e sendo um entusiasta da arte literária resolveu instalar uma estante em sua loja.Inusitado,não? Sim,inclusive, no ínicio, tal inovação sofreu certa resistência.Entretanto, o proprietário persistiu e conseguiu ir além, transformando o T-Bone num "acougue cultural" que promove o incentivo à toda forma de arte.


Além das atividades comuns à loja , o projeto do estabelecimento que conquistou a todos é o Parada Cultural, uma biblioteca popular nos pontos de ônibus que permite que os leitores levem os livros e depois devolvam em qualquer um dos 35 pontos espalhados pela Asa Norte. Então, que tal ler enquanto espera o ônibus e ainda poder "viajar" durante o seu trajeto? Minha parceira de blog, Dayane , já pegou emprestado uma obra de Gustave Flaubert. Ótima escolha,né?

Hoje , com o apoio do GDF,o Açougue T-Bone faz parte do cardápio cultural da nossa cidade. Dentre as atividades socioculturais promovidas, destaco o "Encontro com escritores" e a "Noite cultural". O primeiro evento é um bate papo com diversos escritores , no qual já participaram Nicolas Berh, Ziraldo , Marina Colassanti,entre outros. O segundo é um projeto de artes integradas que ocorre duas vezes por ano desde 1998 , promovendo shows gratuitos com artistas locais e nacionais. A última edição contou com a participação do compositor Ivan Lins, que ao ar livre, embalou um coro de aproximadamente 10 mil pessoas.



Bem, o exemplo do nosso ativador cultural, despertou em mim a vontade de propor um desafio a vocês, caros leitores: Escolham um livro que está esquecido em sua estante e deixe em uma parada com um bilhete pedindo que a pessoa passe a diante assim que terminar a leitura. Eu sei que pode não ser nada , mas um livro pode ampliar e transformar nossa visão de mundo . Sendo assim, porque não tentar? O livro que irei passar adiante será "Perto do Coração Selvagem" da Clarice Lispector , pois tenho dois exemplares e esta narrativa me transformou de tal modo que deixei de ficar presa na iminência de uma realização existencial e passei a viver.Quem sabe alguém não seja despertado também?


Antes de deixá-los com os vídeos que mostram um pouco mais do acougue cultural, saibam que entre o céu esplendoroso e as famigeradas sessões do julgamento do mensalão,Brasília tem muito mais a oferecer do que se acredita.

Por  Islayne Cruz
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*Imagens retiradas do site da Biblioteca Nacional.

domingo, 15 de julho de 2012

Meme... Meu jardim de livros



* Meme:

Recebemos este meme do blog "Meu jardim de Livros" escrito pela Sora. E aproveitamos para convidá-los a conhecerem o cantinho dela: http://www.meujardimdelivros.com.br Ah, queremos também agradecê-la pelos livros que nos enviou do sorteio surpresa do seu blog.


Regras:
-Responder as Perguntinhas.              
-Escolher 10 Blogs para repassar este meme e passar o link de seus respectivos blogs.

Perguntinhas:

Seu Nome/Apelido: Dayane /Day

Sua Idade:  31

Se você fosse uma personagem de livro, quem você gostaria de ser?
Liesel Meminger - A menina que roubava livros 

Qual a melhor parte de se ter um blog?  
A expressão dos nossos pensamentos e a interação com novas pessoas, ou seja, com vocês...leitores.

5 Coisas que você não suporta:
Mentira
Falta de educação
Corrupção 
Reuniões familiares
Torcidas de futebol ensandecidas

5 Coisas que você ama:
Sorvete... e quem não ama?
Amigos
Ler e ver filmes
Parque de diversões
Minha família

Você acha que seu blog é Divo?
Não. A intenção não é o deslumbramento e sim expressar o que sentimentos no momento.

Deixe uma mensagem para seus Leitores:
Um abraço a todos o leitores e saibam que nós os temos em alta consideração. Continuem participando e compartilhando suas opiniões conosco.


Dayane Gomes
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pensamento Alheio: Manoel de Barros


O Fotógrafo
Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta.
Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa,
Eram quase quatro da manhã.
Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava
na aldeia de braços com Maiakovski – seu criador.
Fotografei a nuvem de calça e o poeta.
Ninguém ou outro poeta no mundo
faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.
Ensaios Fotográficos.Manoel de Barros.Editora Record. 

Manoel de Barros
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Pensamento Alheio: Rafael Silvestre


Sou mulher!

E a fortaleza primária, secundária e terciária, está no homem? Hoje terminei o dia sorrindo, alegre, a abraçar o céu e a conversar feliz com a lua. Mas, na ingratidão contumaz de uma condição imposta antes mesmo do senhor das minhas preces, passei as últimas horas provando que estou e sou presente nesse mundo, que sou e vou continuar a bater de frente com qualquer improviso e insatisfação.

E se deram as horas que começaram cedo. Arrancou-me da cama, como se para nascer em mais um dia fosse preciso estar acordada também. Entre tapas e arranhões, bati com a mão na mesa e fiz-me notar pela última vez. Tua alma descabida não mais possuía apreço, muito menos no verão e outono dos últimos 30 anos. Tua alegria me fazia sabor amargo na boca e me fazia também entupir veias do coração com pedaços de infelicidade e desgosto. Nessa manhã, meu caro, chute no vácuo e um a Deus, difícil, mas de solução para tudo isso. Fique com o seu par de cachaças, nosso álbum de fotos e a imagem da libertação de uma mulher.

Sai. Fui-me pela rua, com rumo certo pelo horizonte em definição. Uma angustia doida que, ao deleite das lágrimas, a fazia secar no futuro que se construía nos passos dados descalços. Estava suja, com chinelos comidos muitas vezes pelas raivas passadas. Mas sentia que trocara aquele espaço de humilhação pela alegria de chão tranquilo. Tinha motivos.

Sem fim esse meu rumo. Olhei para trás apenas duas vezes. Uma para saber se estava mesmo vivendo e a outra por acreditar que havia perdido meu maço de cigarros. Um a um fui consumindo, em tragadas profundas que me balançavam como tormentas. Quando em mim me encontrava, outra mais forte puxava para dentro as mais dolorosas lembranças.

Das 7h30 às 23h só deitei uma vez, em folhas soltas de um campo de flores rasteiras que encontrei pelo caminho. Sou mulher, sou a primazia dos destinos, sou torneira a cultivar a vida. Não sou esmola e ferida, não sou fartura e nem comida. Sou mulher e estar assim me mostrava que havia vencido o medo, vencido o beco de infortúnios.

No travar da noite escura, cheguei à beira do meu adorável precipício. Fácil, ali coloquei meus pés cansados a brincar no ar gelado, mais uma vez. Deitei e no céu reencontrei um sinal de vida, o que sempre me ajudava nesses momentos. Um sinal de que o melhor dos mundos está dentro de nós, em nós desatados uma vez na vida. Minha vez era essa. E foi assim. Hoje terminei o dia sorrindo, alegre, a abraçar o céu e a conversar feliz com a lua.


Rafa Silvestre 
Twitter: @PoetaRafael
Para mais textos, acesse :  Arte no Movimento

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pensamento Alheio : Cláudia Viana

Foto: Aaron Feaver

Frágil forte mulher

Sobrou-me a inquietude
Um estranho regozijo
Obscuro é o desejo
Solicitude...

Minha alma
Perdeu o equilíbrio
Meu coração o chama
E bate apreensivo

Sua imagem
De mim não se dissipa
Esse homem
Fez de mim sua donzela

Destino meu destino
Hei de morrer dessa paixão?
Sufoco-me em desatino
Se não estou em suas mãos

Mas agora basta. Chega mesmo.
Não posso viver de devaneios
Um homem partiu, outro chegou
E já tem outro pro horário

Mas a cada batida na porta
A ilusão em mim se renova
E imediatamente se aborta
Um novo homem me aborda

Findo o árduo trabalho
Retiro cada pedaço
Dos homens que se deleitaram
Mas o seu não sai, está marcado.
Cláudia Viana 
Twitter: @_cssf

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Barulhinho Bom: Marcelo Camelo


É de Manhã

É de manhã
É de madrugada 
É de manhã
Não sei mais de nada 
É de manhã
Vou ver meu amor

É de manhã
Vou ver minha amada 
É de manhã
Flor da madrugada 
É de manhã
Vou ver minha flor

Vou pela estrada
E cada estrela 
É uma flor
Mas a flor amada 
É mais que a madrugada
E foi por ela 
Que o galo cocorocô
Que o galo cocorocô


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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pensamento Alheio : Sobre o insólito

Amores Amigos

Nas nossas vidas caminhamos encontrando e desencontrando pessoas através dos anos. Amigos, de infância ou de última hora, e amores, eternos ou efêmeros. Com quem compartilhamos os bons momentos e os maus, dividimos experiências. Amores amigos, etéreos e incomensuráveis indícios de uma história feliz, independentemente da felicidade idealizada.

Quase não sentimos o ir e vir das pessoas, não notamos elas passarem, somos invisíveis à primeira impressão. Mas são tão importantes. Tentamos entender o que sentimos sem nos preocuparmos em sentir. Amigos são raros nesses tempos remotos, os amores são brandos. Precisamos nos abrigar mais no outro.

Os seres humanos vivem aos pares. Se não, qual o sentido em ser humano? Somos políticos por natureza, já dizia Aristóteles. Necessitamos do outro, pois somos carentes de complemento, imperfeitos congênitos. Nascemos esperando nossa soma. Essa é uma belíssima qualidade nossa! Não nos bastamos.

Amamos sem saber, sabemos sem amar, a felicidade não tem razão de ser. O amor não tem porque.


Twitter: @Sobreoinsolito
Para mais textos,acesse: Um Livro sobre o insólito


P.S: imagem retirada do filmeThelma & Louise

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Vale o clique: Erika Iris Simmons, uma fita e muita inventividade


Quem não se lembra da fita cassete? Confesso que sempre gostei de gravar minhas seleções musicais e, por diversas vezes, esperei ansiosamente minha música preferida passar na rádio para gravá-la e ainda captar a voz indesejada do locutor de fundo. Ah, os anos 90... quanta saudade!

Saudosismo à parte, a artista que figura nosso "Vale o Clique" desta semana faz da famigerada fita k7 a matéria-prima de sua obra. Estou falando da americana Erika Iris Simmons, uma jovem ilustradora que utiliza rolos de filme e fita para criar retratos espetaculares de figuras emblemáticas da música e do cinema.

Com engenho e criatividade , Simmons intitulou esta série de retratos de "Ghost in the Machine" e conquistou diversos criticos de arte.Além de inspirar a arte gráfica utilizada no clipe Just the Way You Are, música do cantor Bruno Mars.

Então, se você ainda possui cassetes em casa, tente desenrolá-los e dê uma chance a sua criatividade.Mas enquanto isso, os convido a apreciar um pouco desta arte.

Página oficial: http://www.iri5.com/

Por  Islayne Cruz
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Pensamento Alheio: Walt Whitman

Uma hora para a loucura e a alegria

Uma hora para a loucura e a alegria! Ó furiosos! Oh, não me confinem! (O que é isto que me liberta assim nas tempestades? Que significam meus gritos em meio aos relâmpagos e aos ventos rugidores?)

Oh, beber os delírios místicos mais fundamente que qualquer outro homem! Ó dolências selvagens e ternas! (Recomendo-as a vocês, minhas crianças, Dou-as a vocês, como razões, ó noivo e noiva!)

Oh, me entregar a vocês, quem quer que sejam vocês, e vocês se entregarem a mim, num desafio ao mundo! Oh, retornar ao Paraíso! Ó acanhados e femininos! Oh, puxar vocês para mim, e plantar em vocês pela primeira vez os lábios de um homem decidido.

Oh, o quebra-cabeça, o nó de três voltas, o poço fundo e escuro – tudo isso a se desatar e a se iluminar! Oh, precipitar-me onde finalmente haverá espaço e ar o bastante! Ser absolvido de laços e convenções prévias, eu dos meus e vocês dos seus! Encontrar uma nova relação – desinteressada – com o que há de melhor na Natureza! Tirar da boca a mordaça! Ter hoje ou todos os dias o sentimento de que sou suficiente como sou!

Oh, qualquer coisa ainda não experimentada! Qualquer coisa em transe! Escapar totalmente aos grilhões e âncoras dos outros! Libertar-me! Amar livremente! Arremeter perigosa e imprudentemente! Cortejar a destruição com zombarias e convites! Ascender, galgar os céus do amor que foi indicado para mim! Subir até lá com minha alma inebriada! Perder-me, se preciso for! Alimentar o resto da vida com uma hora de completude e liberdade! Com uma hora breve de loucura e alegria.
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sábado, 23 de junho de 2012

Parceria: Livraria Wook


Oi, gente!

Estamos postando neste sábado, excepcionalmente,  porque recebemos o convite da livraria Wook, a maior livraria portuguesa online, para firmarmos uma parceria.

Com aproximadamente seis milhões de produtos disponíveis, a Wook possui em seu acervo: softwares , filmes, ebooks e uma variedade de livros . Além de sempre oferecer ótimos descontos e promoções.

Portanto, deixamos aqui o convite para que passeiem pela livraria com comodidade e segurança.

Ah, durante a próxima semana a loja terá um "Happy Day",ou seja, um dia único com frete grátis em todas as encomendas para o Brasil.
WOOK - www.wook.pt

Dica de livro:
WOOK - www.wook.pt

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Pensamento Alheio: Sorriso (Rafael Silvestre)

Sorriso

Como se fosse uma doce perdição, se perde em meio a lábios de calma, acontecendo sempre diante a olhos alarmantes de desejo e imensidão.

Mas, se por trás existem saídas, seu sorriso fácil alimenta vidas, da amizade carinhosa que nos acomete de montão.

Ter sorriso solto, calmo, envolto, faz do abraço coisa fácil, que simplesmente dá alento ao coração. Porque disso, da imaginação, não se pode ter sorriso e sim o indeciso, viajante nato daquele estranho ar de paixão.

Perfeito, seu sorriso é do seu jeito, o que mostra sempre sua alma em bocejo, em amor, em beijo.
Rafa Silvestre 
Twitter: @PoetaRafael
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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Vale o clique: Lillian Bassman, o equilíbrio entre a arte e a moda (fotografia)


Semana passada mostrei uma artista que questionava o mundo fashion dentro de uma perspectiva irônica. Entretanto, como em nossa vida não existe uma verdade absoluta,resolvi mostrar o trabalho de uma fotógrafa que fez do mundo da moda uma obra de arte.

Lillian Bassman , que faleceu em fevereiro aos 94 anos , é considerada uma das fotógrafas mais importantes deste segmento.Como diretora de arte da Harper's Bazaar, revista na qual trabalhou entre as décadas de 40 e 60 , ela revolucionou a indústria com seus editoriais e anúncios de lingerie que eram bastante ousados para a época.

Durante os anos 70 , preocupada com o rumo que este mercado estava tomando,ela decidiu destruir grande parte do seu acervo e voltou-se para projetos pessoais.Porém, vinte anos depois, um dos seus assistentes descobriu que uma bolsa repleta de negativos ficara intacta.E  a partir deste momento, ela resolveu revisitar sua obra com o auxílio da tecnologia digital.

Agora, os convido a apreciar aquela que com originalidade e elegância soube retratar a sensualidade feminina em meio a contraste de luz e nuances de sombras.



Islayne Cruz
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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Pensamento Alheio: Lucian Blaga


A saudade

Sedento bebo teu perfume
e seguro teu rosto
com ambas as mãos,
como quem segura na alma um milagre.

Queima-nos a proximidade,
olhos nos olhos,
como estamos.
E contudo me sussurras: "Tenho tanta saudade de ti!"
 
Falas tão misteriosa e desejosa,
como se eu estivesse exilado em outro mundo.

Mulher.
que mares levas no peito, e quem és?
Canta ainda uma vez mais tua saudade,
por que te ouça
e os instantes me pareçam botões prenhes
de que florescessem de fato... eternidades.

De Poemele Luminii (Os Poemas da Luz), 1919

Lucian Blaga
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